A Natureza como modelo na construção de Casas Ecológicas, Habitats Sustentáveis, Tecnologias Vivas e Comunidades Sustentáveis.

Nature as the model for the construction of Ecological Houses, Sustainable Habitats, Living Technologys and Sustainable Communities.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Vagens de Ipês Amarelos



Acontece tudo muito rápido.

Os ipês que ainda outro dia lançaram algumas flores já estão com vagens grandes sendo visitadas por abelhas nativas e marimbondos. Creio que vão em busca de seiva. A seiva que vai nutrir a semente, preparando-a para a vida livre da mãe é a mesma que nutre outros seres. Um acordo da natureza? Já que essas flores vieram fora de época e talvez sejam muito necessárias para esses insetos. Permanecendo vivos logo retornarão com juros a oferta, pois a planta precisará deles para a polinização de novas flores, que não devem tardar. Na verdade, já se mostram em um e outro ipezinho nos lotes.

Gaia Terranova, lugar de flores, ipês, pássaros, insetos, vida.

Sistema sanitário 2



Avançamos mais no sistema sanitário, colocando encanamento fora da casa, fazendo caixas de inspeção/limpeza/gordura.

As águas estarão separadas. As do vaso sanitário seguirão para um lado e as águas cinzas para outro. Logo faremos uma oficina para construir o sistema de tratamento biológico.

Levantando paredes 2



As obras seguem seu ritmo e entramos na segunda semana no levantar das paredes. Assentar tijolos, raspar massa, fazer massa, cuidar do nível. Paredes de meio ou um tijolo? E as tomadas, fiação, hidráulica?
Enquanto sobem as paredes, reflito sobre a planta da casa, sobre como fazer, sobre como diminuir custos, sobre como complementar uma e outra idéia, sobre como deixar o lugar mais aconchegante.
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Uma delícia!!!!

domingo, 5 de agosto de 2007

070801 - amor do tijolo e água



A gente aprende muito.

Aprende que a terra ama a água, que a água ama a terra, que ambos foram feitos um do outro, um para o outro.

No processo de cozimento do tijolo, toda água da terra é expulsa e os grãos sofrem cimentação e agregação, dando dureza ao tijolo.

Então, ao jogarmos água para molhar os tijolos, algo surpreendente acontece: separados pelo calor, água e tijolo juntos novamente cantam - é uma sinfonia lindíssima, que lembra um riacho borbulhante em meio às montanhas.

A colher do pedreiro dá um toque metálico ao som aquoso.

Gravo outros sons, em condições diferentes para que possamos nos deleitar com o som do amor do tijolo e água.

070801 - levantando paredes


Finalmente!!!

Agora começa a aparecer o serviço, como dizem pedreiro e ajudante. E eu também, rs.

Engenheiro orientou que estruturalmente paredes de um ou meio tijolo era indiferente. Como pretendemos fazer um jardim sobre a laje, que servirá ainda para filtragem de águas de chuva e servidas, produção de alimentos, flores e ervas, teremos de usar colunas concretadas.

Sendo assim, optamos por tijolos aparentes, sem uso de reboco, formando paredes de meio tijolo e talvez na parte sul e com certeza nos banheiros, paredes mais espessas.

Hora também de realizar alguns experimentos com massas juntando terra em proporções variadas para ver textura, coloração, adequação ao uso como acabamento para as paredes.

070731 - sistema sanitário


Fizemos já o dimensionamento do sistema de tratamento biológico dos efluentes da UHS, seguindo as normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Pela norma os encanamentos juntam águas cinzas (pias, tanques, chuveiro) e negras (sanitários), o que implica em um volume muito grande de águas: 160 litros para residências de padrão alto, 130 litros para padrão médio e 100 litros para padrão popular.

Optamos por separar essas águas de maneira a otimizar o tratamento, uma vez que o efluente sanitário exige muito mais cuidados do que a filtragem das águas cinzas para reuso. Com isso, o sistema de tratamento, dimensionado para atender uma casa com quatro moradores utilizará algo como 0,70m2 de área, bem menor que os 5m2 necessários caso as águas fossem tratadas conjuntamente.

Investimos um pouco mais em tubulações e ganharemos muito em eficiência do sistema, tanto em área quanto em tempo de retenção e trabalho microbiológico para tratamento e decomposição da matéria orgânica, cujo ciclo terminará em um círculo de bananeiras ou voltará a se reunir com as águas cinzas filtras por filtro geobiológico, tendo como destino a reutilização no pomar.

Note-se ainda que sob a tubulação colocamos uma camada de concreto magro para garantir melhor sustentação às tubulações em caso de movimentos de acomodação de terra.

Mais adiante, quando iniciarmos oficinas de construção de sistemas de biotratamento de efluentes, disponibilizaremos todas as informações para o correto dimensionamento do sistema.

070728 - baldrame quartos


Pedreiro e ajudante, vizinhos, outros pedrereiros dizem que depois de prontas as fundações é que o serviço começa a aparecer. Deve ser verdade, porque chegamos a um ponto em que vai dando agonia não ver paredes, ao mesmo tempo em que enterramos colunas, sapatas, vigas.

Já mudamos muito o projeto da casa. A construção vai conversando com a gente, a gente com ela. As idéias vão aprimorando: escada fora ou dentro? quarto em um lado ou no outro? muito dinheiro já gasto ou dentro dos parâmetros? construção com quanto de área?

Segurança tem sido quase obsessão, rs. A parede de pedras estamos amarrando com concreto pelo lado de dentro, onde será aterado, evitando qualquer movimento e desestabilização.

Utilizamos ainda algumas das madeiras que vieram de demolição para dar acabamento e nivelar a parede. Fica bonito a junção mineral+vegetal. Quebra a dureza da pedra, dá sustentação à madeira, harmoniza a separação entre ambientes.

domingo, 22 de julho de 2007

070721 - parede pedra rosa terminada


Na sexta-feira, dia 20/07, terminei a parede. Sensação super boa, de trabalho realizado.

As mãos fortalecidas.

Fortalecida a capacidade de realização.

A estrutura está firme como rocha. Estrutura física, emocional, mental.

Muito trabalho interno aliado ao trabalho externo. Está tudo interligado. Construo a casa e contruo a mim mesmo. Esse é o sentido.

Mãe, irmã e Spyke visitam a obra.

070719 - parede pedra rosa


Resolvi levantar a parede que separa o nível sala-cozinha do quartos-banheiro com as pedras rosadas. Algumas são muito lindas.

Vou contar: trabalhar com pedra é serviço pesado, rs. Mas assumi comigo mesmo de levantar a parede e Antônio (pedreiro) iniciou ajudando: passa a linha pra não sair do prumo, transporta pedra, assenta pedra.

Logo ele já estava cuidando de outra coisa e eu assentando as pedras. Uma delícia. As mãos vão-se fortalecendo. As costas doem no primeiro dia e depois acostumam. A força vai chegando. Como o Daime. E a física auxilia: torção, alavanca, conhecimento para rolar, ajeitar, posicionar as pedras, uma a uma, seguindo a linha.

A base pronta e aterrada, parede sendo levantada. Por detrás aterro até a altura do nível de novo assentamento e concreto para garantir a firmeza da estrutura.

Penso que na época das águas pode acontecer de brotar umidade nas pedras. E quem sabe nasçam aí samambaias, avencas, beijinhos nos vãos das pedras? Um jardim dentro da sala-cozinha. Talvez faça mesmo um pequeno arranjo para um jardim interior. Vamos ver.

070713 - reaproveitando materiais

Nessa semana descobrimos uma casa sendo demolida aqui em Itajubá. Cidade crescendo, memória sendo transformada.

Nos escombros histórias, feridas, alegrias.

E madeiras, janelas, portas, vidraças, tijolos.

"Amanhã a máquina entra e leva tudo embora".

O leva tudo embora é pra algum lugar qualquer, algum aterro de várzea pra cidade crescer. É sobre a várzea que a cidade ainda cresce. E agora subindo os morros também. Mas morro não precisa de entulho.

O que deu pra aproveitar aproveitamos. Levamos conosco um pouco da história do lugar para construir outra história.

Esse blog conta uma história, mosaico de várias outras.

Aproveitando partes da casa demolida geramos renda para o dono da kombi que fez o transporte. E para Vitor, que levou algumas janelas de ferro e algumas portas pra restaurar. Vendendo vai ganhar uma grana que não estava contando.

Já Gaia Terranova ganhou uma janela de ferro, uma porta e várias madeiras antigas, um tanto carcomidas pelos cupins, mas de cerne bom e aproveitável. Será tudo muito útil na casa.

070713 - concretando baldrame


Iniciado o trabalho não dá pra parar. Então foi o dia inteiro fazendo massa de concreto, vertendo a massa nos moldes, vibrando-a para que se ajuste entre as ferragens. O resultado pode ser visto nas imagens (clique no título acima).

Dá um prazer de ver a casa se materializando, sendo construída. É bom.

070711 - granito rosa

Optamos por fazer as bases da casa com pedra e hoje chegou mais um carregamento, o terceiro e último para esse trabalho.

Visitei a pedreira por duas vezes e o trabalho é árduo. Pelo que me informei os donos estão seguindo toda legislação pertinente para extração mineral.

Uma grande empresa exportava as rochas para a Europa e agora já não está lavrando no local. Ficaram os antigos operários que tiram das pedras seu sustento. De maneira artesanal. Usam pequenos pontaletes de ferro, que eles mesmos fundem, chamados pixotes. Com eles fendem a rocha, abrindo pequenos buracos que são depois cunhados com pixotes sem ponta. Esses são então matelados até que a rocha se parte, seguindo linhas que a experiência mostra e que um leigo como eu não percebe.

Clicando no título acima pode-se ver as imagens da produção da estrutura metálica do baldrame e o descarregamento das pedras na obra.

070705 - Fundações e Sapatas - estruturas e simbolismo

As pessoas dizem que construir não é fácil, que se gasta mais do que o previsto, que acontecem imprevistos de todo tipo, que há mudanças de projetos à medida que se vai construindo.

Verdade...

A casa começa a conversar com a gente, a indicar melhores posições de aposentos, insolação, vista.

Mantemos um projeto básico que ainda não consegui copiar para mostrar aqui, sucessor dos projetos iniciais. Mas mudanças ocorreram já várias vezes, aprimorando o desenho inicial. Tudo acompanhado pelo engenheiro.

E mesmo assim dificuldades surgem.

A maior até o momento tem a ver com a comunicação: dificuldade de me fazer entender, cultura do pedreiro, acostumado a fazer casas de um certo jeito, engenheiro que não entendeu direito o que propunha e/ou não conseguiu se comunicar direito com pedreiro.

Como resultado, abriram-se valas para as fundações, preenchidas com as pedras rosas, sapatas e viga de concreto (formando o baldrame) de maneira superdimensionada.

Não precisava tudo isso. Gastamos recursos preciosos sem tanta necessidade.

Nada perdido, no entanto, já que estamos lidando com estruturas, pedras, concreto. Super oportuno para firmar, fixar as idéias e os sonhos aqui na terra. Aprendizado imenso que tem-me feito refletir muito nesses dias.

Simbolicamente é esse o aprendizado: construir sonhos com bases sólidas, de rocha, granito rosa. Manifestar, concretizar, tornar sólido, concreto uma idéia, um sonho, um ideal. Manifestar na matéria o que vai no mundo mental. E fazer isso pelo coração, pelo emocional. Integrar os corpos físico, emocional, mental. Equilibar os corpos densos, densificar. Transcender, espiritualizar, no caminho de volta. O ciclo céu-terra-céu.

Estou postando as imagens em álbum do Google. O link do título leva às imagens correspondentes. Basta clicar no título para ver as imagens.

070704 - Breve florada de Ipês Amarelos

Mudanças climáticas. Frio e calor. Seca.

Os ipês amarelos do terreno iniciaram sua florada fora de tempo, adiantaram. Durou pouco, no entanto, apenas alguns dias e abriram poucas flores.

Nessa mesma semana recebemos visita de Rafael e Maria, vindos de São Paulo e de passagem pelo Sul de Minas.

Grato pela visita, meus amigos!

Mas cometi uma falha: gostaria de ter registrado suas imagens e não o fiz. Se tiverem fotos do lugar, de vocês, mandem, sim?

Grande abraço.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Vitor marceneiro

Vitor é dessas pessoas de coração puro. Tenho tido muita luz em meus encontros e conhecimentos. Sou grato a isso! Pessoas boas, de bom coração, tem cruzado os caminhos de Gaia Terranova: Ademir (engenheiro), Levino (mestre da terra), Antônio (pedreiro), Carlos e o filho Zé Carlos (trabalhadores que com seu suor preparam o granito-rosa que estamos usando nas fundações).
E Vitor, o marceneiro que recupera as janelas compradas em demolição. Vitor não tira foto há anos. Ri feito criança quando pergunto se posso fotografá-lo em seu trabalho. Fica sem jeito e ri novamente, encabulado: "Todo sujo, rsrsrs", olhando para o chão e tentando arrumar a roupa, cabelo. Não precisa, Vitor, sua luz é maior que qualquer possível sujeira da roupa de um dia de trabalho.

- Sei que o preço que pediu pelas janelas é pouco, digo.

- O pessoal diz mesmo que foi pouco, mas dei o preço e é palavra de homem!

Sabemos disso, Vitor, sabemos. Mas também reconhecemos quando o serviço foi e está sendo muito além do que foi combinado. Sabemos o trabalho que está dando tirar anos e anos de tinta, camada sobre camada de tinta, recobrindo histórias e histórias. Fizemos isso com portas na casa em Santo André. Foram dias e dias retirando velhas tintas. Sabemos o quanto custou.

Mas queremos a madeira limpa do tempo. Queremos um recomeço daquilo que seria lixo em algum porão. Queremos resgatar uma história ainda mais antiga, aquela de um dia Árvore-abatida-pela-mão-do-homem, e que, antes de tombar, viu a sucessão dos dias, das noites, dos ventos, das chuvas, das secas, das serras, dos vales, dos bois, dos machados.Deixar nua essa história é uma outra história que merece ser contada. E as mãos de Vitor estão trazendo à tona décadas, quiçá séculos de história. E isso vale muito mais do que aquilo que pediu. Muito mais.

Com as janelas não resgatamos apenas madeira nobre, para um fim nobre. Resgatamos a nobreza do homem que empunha a lixa, que retira as tintas, que reconta a vida. Resgatamos valores humanos, esquecidos, perdidos, reencontrados.Não estamos construindo uma casa, estamos construindo histórias, recontando vidas, repovoando sonhos, fortalecendo experiências. Como as janelas, estamos abrindo novas possibilidades, retirando a tinta para deixar que se veja o cerne, o interior, a essência: das madeiras, das pessoas, de nós mesmos, de nossos colaboradores.

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Canteiro de obras e fundações em 23/06/07




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Camiinhos no solstício de inverno - 23/06/07




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